Mostrando postagens com marcador verão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador verão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Crepúsculo

Que cores são essas que iluminam o céu?
Não ousaria chamar de rosa, azul ou amarelo.
São cores que não estampam os vestidos das moças.
Não estão na maquiagem do palhaço.
Nem colorem o caderno da criança.

Não pintam, iluminam.

Tudo que vejo ao redor mudou de tom.
Se a árvore era verde, agora é verde-pôr-do-sol.
Se a rosa era vermelha, agora é vermelha-pôr-do-sol.

Por alguns minutos efêmeros, o mundo se torna um palco sob foco tão inspirador.
Onde quero dançar palavras
Onde quero cantar suspiros

E você aí dentro, azul, na frente da TV.
Não vê que o Sol se vai e
você não vai assistir ao meu solo.

Vem dançar comigo, deixa eu dançar pra você.
Vem dançar comigo, que a gente faz uns passos coloridos.



JG

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Uma das coisas que mais gosto de estar na praia é poder sentar para ver o MAR. E sentado num tronco velho jogado na areia, gosto de pensar sem pensar no que pensar. O ir e vir de pessoas e ondas, o ir do sol e o vir do vento já bastam para derramar palavras e pensamentos. As cores inesperadas do céu preenchem a folha em branco, facilmente. Sem pensar em nada, o pensamento não mente. A sinceridade do prazer no ócio cala a inspiração forçada, desfaz os versos medidos, fica a intensidade espontânea da fala.

E nessa liberdade dinâmica, dou asas de Ícaro ao meu pensamento. E ele voa direto pra você, perde suas asas e não volta nunca mais.


JG

Elas duas caminhavam mais devagar que as ondas do mar.
Elas quatro no espelho d'água que se forma na areia.
As roupas curtas, os risos largos e os braços dançando ao lado do corpo. Infantilmente.
Elas duas no pôr-do-sol. Douradas.

Olham o mar, as ondas, as pranchas, as sungas.
Risos que puxam os cabelos para trás das orelhas.
Pensamentos que fecham os olhos.
Olham para baixo.
Pensam no mesmo, elas duas.

Elas duas querem outros dois.
Eles quatro brincando no mar.
Elas duas na areia a sonhar.

Eles oito no espelho do mar balançando as mãos dadas.
Infantilmente.

Suas pegadas escrevem versos na areia.
Oito pegadas. Marcadas e apagadas no espelho d'água.
Como se as ondas se alimentassem de versos e bebessem histórias sobre mãos dadas.

Eles quatro e o verão a acabar.
Elas duas e história a contar.
Eles dois e ondas a surfar.

E o mar.
Arredio, dourado, alimentado.



JG